Ir para o conteúdo
Vénus Florale
Nina Ricci

Composição

Vénus Florale

Publicado em

Partilhar

Terceiro capítulo da coleção Vénus, esta Eau de Parfum de 2026 deixa o chipre das antecessoras por um floral frutado de verão. O ananás abre, a magnólia e a flor de laranjeira sustentam o coração, a baunilha e o musgo fecham a pirâmide. Alexandra Monet assina as três versões, tal como as duas anteriores. O patchouli que marcava a assinatura original desapareceu da fórmula, e o corante azul dos dois primeiros frascos deu lugar a um vermelho.

A abertura pertence ao ananás. O fruto chega franco, sumarento, quase açucarado, e ocupa o lugar que a magnólia tinha na original. A mandarina acompanha-o sem lhe disputar o primeiro plano: traz a acidez que impede o açúcar de se instalar demasiado depressa. É, aliás, o único ponto comum das três aberturas da linha, presente tanto em 2024 como em 2025.

O coração cabe à flor de laranjeira, anunciada em pé de igualdade com o fruto. Traz uma brancura solar mais do que uma opulência floral, e serve de charneira entre o ananás e a doçura do fundo. A magnólia não desaparece, mas recua: de tema, passa a suporte.

A magnólia da coleção não é a flor inteira, mas uma fração da qual apenas as facetas claras foram retidas. Na original, essa fração sustentava sozinha o perfume. Aqui serve de ligante: dá ao duo fruto-flor branca uma continuidade cremosa, sem a qual o ananás e a flor de laranjeira ficariam lado a lado sem se misturarem.

O fundo associa a baunilha a um musgo. A baunilha prolonga o efeito viciante que a casa reivindica desde o primeiro capítulo. O musgo, ausente da sua comunicação, dá ao fruto uma base terrosa sem a qual o conjunto resvalaria para o xarope.

A lista regulamentar do perfume diz mais do que o seu dossiê de imprensa. Conta 39 entradas, e várias matérias-primas que nomeia não aparecem em parte alguma da pirâmide anunciada.

Nela figuram uma essência de bergamota e uma essência de limão, que explicam a vivacidade da abertura melhor do que a mandarina sozinha. Uma essência de flor de laranjeira confirma o coração. Um ylang-ylang e um cedro da Virgínia sustentam o fundo, enquanto a ionona metilada acrescenta a faceta atalcada que o fruto não produziria por si só. A cumarina, por fim, traz o feno açucarado que arredonda a baunilha.

Três corantes fecham a lista: um vermelho, um amarelo e um violeta. Não têm qualquer função olfativa, mas dão ao líquido a tonalidade bege rosada que o vidro transparente deixa ver. Os dois capítulos anteriores tinham um azul em vez do vermelho: a mudança de cor está inscrita na fórmula com tanta precisão como no desenho do frasco.

A ausência mais eloquente é a do patchouli. Sustentava a estrutura chipre dos dois capítulos anteriores e não se encontra neste. Sem ele, o fundo perde a profundidade terrosa e o amargor; o musgo recupera parte disso, mas à superfície. A casa não aligeirou o perfume: retirou-lhe a coluna vertebral.

Classificada como Eau de Parfum, a fragrância tem a duração que esta concentração promete. O ananás é o primeiro a desvanecer-se; a flor de laranjeira e a baunilha duram mais, sustentadas pela lactona almiscarada que a lista assinala no final do percurso. Ao fim de algumas horas resta um floral abaunilhado comedido, bastante longe do fruto espetacular da abertura.

Perfumes semelhantes

Notas e família próximas, de outras casas.

Outros perfumes de Nina Ricci

Todos os perfumes de Nina Ricci

Alexandra Monet também compôs

Todas as criações de Alexandra Monet